Gui Mattos Arquitetura

Existe na arquitetura, um espírito em que a tradição e a inovação são valorizadas simultaneamente, onde a sofisticação pode estar na simplicidade. Objetiva-se que o todo de um edifício, sua relação com o meio ambiente e o ser humano sejam privilegiados. O resultado, cria uma atmosfera em que o novo e o velho, o abstrato e o figurativo fundem-se representando a história e anunciando o futuro.

Em algumas vezes as intervenções arquitetônicas são claramente visíveis, mas, em outras elas podem ser sutis à percepção humana. A busca da simplicidade representa um delicado jogo de inteligência, resultante de cuidadosa análise das características do sítio e do programa proposto.

Existe hoje uma corrida por informações, horários e apontamentos. Muitas soluções arquitetônicas representam esse movimento frenético de mudanças rápidas e velocidade, outras se apoiam em valores distintos, talvez mais críticos, como a procura da longevidade. Estas atitudes diante dos projetos buscam o tempo, a contemplação e a compreensão que habitar o meio ambiente natural requer, levando o ser humano a um estado intuitivo.

Os edifícios, de toda natureza, podem ser escapes desta complexa vida urbana, de pressões e prioridades do cotidiano, trazendo para nossas vidas a reflexão. O mistério e a aventura. Buscar o equilíbrio entre ocupação e não-ocupação, preservando a atmosfera local é um dos principais fatores que garantem o sucesso.

Na arquitetura é preciso balancear conceitos essenciais. A combinação destes elementos faz com que a beleza brote das interconexões entre a atmosfera natural, os diversos programas propostos e dos métodos construtivos.

Beleza em arquitetura, não é um código acadêmico, mas um emaranhado de realidades e verdades. Essa mistura de invenções e convenções faz a arquitetura, como a arte, surpreender e entreter.

A arquitetura não é uma imagem fixa, mas sim uma complexa experiência sensorial, quase sem limites entre o dentro e o fora, o novo e o velho, o espaço e o tempo.